uma nova ordem

6/02/08

atos 17.6, tessalônica, urgente!!!!

inimigos dos pregadores paulo e silas chegam à cidade de tessalônica a fim de prendê-los, incitam o povo e conseguem encontrar a casa onde estão hospedados… é a casa de jasom.

como os pregadores não estavam mais lá, já haviam saído da cidade, arrastam jasom e o entregam para as autoridades.

acusam-no de ter abrigado aos que estão transtornando o mundo, agindo, segundo eles, contra os decretos de cesar, porque anunciam que há um outro rei, chamado Jesus.

as autoridades não encontram culpa em jasom, e o mandam de volta para a sua casa.

de fato esses pregadores não anunciam que há um outro rei, chamado Jesus; eles afirmam que há um só rei, e o nome dele é Jesus.

um ser verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus que, morto na cruz, pelos romanos, ressuscitou três dias depois de sua morte, conquistando vitória sobre a morte e sobre a maldade e seus agentes, recebendo, então de Deus, o direito de reinar soberano sobre todo o universo e os seus habitantes.

para esses pregadores o mundo está sob nova direção.

para eles há uma nova ordem, sob um novo rei, Jesus, daí conclamam todos os seres humanos a se renderem a esse novo rei; prometem que todos os que se renderem serão libertos das trevas, e receberão a vida do próprio rei, o que significa que serão pessoas livres para amar e para servir ao próximo, e, além disso, serão curadas de suas enfermidades emocionais e receberão novas capacidades para servir a humanidade.

exigem, em nome da nova ordem, profundas mudanças na política, na economia e na sociedade, de modo geral.

são contra toda forma de corrupção, querem uma democracia plena, uma economia solidária, que privilegie o pobre, que produza distribuição de renda; querem reforma agrária, porque não admitem que haja tão pouca gente com tanta terra que acabe por não haver terra para ninguém mais, além disso, acreditam que a terra é um bem para todos e não só para alguns.

querem saúde, escola, transporte e moradia digna para todos, uma verdadeira reforma urbana.

demandam que, em nome do rei Jesus, toda a sociedade se reorganize para produzir esses valores e realidades, por meio de um novo modelo de progresso que preserve e recupere o meio ambiente, porque entendem que a terra deve ser um jardim, de beleza comunitária, onde o ser humano seja, ao mesmo tempo, o jardineiro e parte do jardim

Dando uma chance para Deus

1/02/08

O casamento já, há muito, estava abalado, procuraram o pastor; este, depois de ouvir a ambos, sugeriu que dessem uma chance para Deus.

E como se faz isso? A pergunta surgiu a ambos ao mesmo tempo.

Concordando com Deus, disse o pastor. E se explicou: Deus estabeleceu um padrão para o relacionamento conjugal. Ao marido orientou que se sacrificasse pela esposa, tratando-a como parte de si, e criando as condições para que se realize como pessoa. À mulher orientou a permitir que o marido fosse o líder do lar.

O pastor expôs que esta rua é de mão dupla: o marido entra com a responsabilidade de gerar o ambiente para a felicidade da esposa, e esta entra com a anuência à sua liderança.

Agora, no caso, nem o marido achava que a esposa valia o sacrifício, nem esta achava que ele ainda tivesse crédito para ser líder de quem quer que fosse.

O pastor explicou que era aí que residia o “dar uma chance para Deus”: esquecendo o passado, confiar que o Senhor trabalharia em ambos, tornando-os o que deveriam ser. Confiar em Deus, explicou, é sair do barco, como Pedro, isto é, agir contra a lógica humana. Todo o mundo sabe que a água não sustenta ninguém de pé; mas Jesus foi andando sobre a água! E agora? O que é a verdade? O que todo o mundo sabe ou o que Jesus está fazendo e nos convidando a fazer?

Quer dizer que vou deixá-lo decidir, mesmo achando que ele faz tudo errado? É isso! Disse o pastor. Acredite que, ao conceder-lhe a liderança, porque liderança uma concessão da parte dos liderados, Deus terá o ambiente necessário para operar o milagre que ele precisa. Conceder-lhe a liderança é respeitá-lo e apoiá-lo.

Quer dizer que devo me sacrificar por alguém que vive a humilhar-me e a desconsiderar tudo o que digo? O processo é o mesmo. Disse o pastor. Ao fazê-lo criará o ambiente que Deus precisa para operar o milagre que precisa ser realizado. E, sacrificar-se por sua esposa é, para além do tratamento carinhoso, considerar na tomada de decisões tudo o que gera insegurança nela.

Lembrem-se! Insistiu o pastor. Vocês não estão fazendo um gesto a partir do que vêem um no outro, mas, sim, por aceitar o convite de Cristo para andar sobre as águas, crendo que ele sustenta sobre as águas os que, a seu convite, saem do barco. Vocês decidem que vão começar a agir a partir da palavra dele, e ele os sustenta nessa caminhada. A gente, sob oração, vigia em obedecer e ele se digna a nos sustentar.

Gente, andar com Deus é, em princípio, andar sobre as águas!

Vivemos num mundo que não obedece a Deus. Portanto, andar com Deus é, na maioria das vezes, andar contra o senso comum. Então, arrematou o pastor: Em nome de Cristo eu os convido andar sobre as águas.

E silêncio se fez…

O Provisório

8/01/08

“Chamou Deus à luz Dia e às trevas, Noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia” (Gn 1.5).

“A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (Ap 21.23).

“As nações andarão mediante a sua luz…” (Ap 21.24).

” As suas portas nunca jamais se fecharão de dia, porque, nela, não haverá noite” (Ap 21.25).

“Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos” (Ap 22.5).

Na primeira criação há noite, porque há trevas. A luz convive com as trevas. No novo céu e nova terra a noite já não existe. Não que o planeta vá deixar de fazer seus movimentos de rotação e de translação, a luz constante que está sobre a cidade manterá o planeta em pleno dia. Já não haverá mais noite. E isso por toda a eternidade.

Uma vez que essa é a maneira como o Senhor passará a eternidade com sua imagem e semelhança, por que não manifestou isso antes da queda? Ainda não caira o homem e já havia noite. Ainda não havia queda e já havia morte, O homem e os animais se alimentavam de seres vivos do reino vegetal (Gn 1.29).

Por que?

Seria pelo fato do ser humano ainda não ter feito a sua esolha entre a vida e a morte? Era uma realidade provisória? Estaria Deus esperando essa parceria, como descrita no apocalipse, para poder inundar o planeta com sua luz? Estaria esperando essa decisão para levar os seres vivos a viverem exclusivamente de Deus, de modo que não necessitassem de nenhuma outra fonte de energia? Será que, então, por causa da desastrosa escolha humana Deus manteve a provisoriedade?

Talvez a gente só saiba a resposta na eternidade, se vier a saber, entretanto, é possível constatar que Deus criou um mundo pronto para conviver com o pecado, onde o fato da luz dar lugar às trevas não significa que ela não vai voltar amanhã.

Se você fosse o criador, cônscio de que sua criatura iria trazer à criação a morte, que é, por definição, o fim de tudo, e que se você quisesse salvá-lo teria de fazer a sua geração perdurar por milênios, apesar da realidade da morte; que mundo você criaria?

Deus criou um mundo onde a vida se utiliza da morte, onde a folha que cai aduba a terra para outras nascerem. Onde o inverno, que sedimenta o que caiu no outono, propicia a primavera. Um mundo que se sustenta no sacrifício e aponta para a ressurreição. Moral da história: Não é de hoje que Deus vem derrotando a morte!

Para a sua meditação: Deus domou a morte e, em Cristo, a venceu para que você desse valor à vida. À sua e a de todos os seres vivos.

Senta que lá vem a história!

4/01/08

Contar histórias é a história da humanidade, assim nos entendemos, assim nos transmitimos. Aliás, tudo fica turvo quando nos esquecemos que somos frutos das histórias que nos contaram e que contamos. Triste daquele que não tem história para contar.

Nós, não somente contamos histórias como nos tocam os contadores de histórias; não é a toa que o maior de todos os mestres das humanidade passou seu tempo entre nós a contar histórias que nos reacenderam e nos reacendem a esperança. Por isso nada nos é mais precioso que contadores de histórias. Bons contadores de histórias são eternizados, e o merecem, viram clássicos.

Porém, de quando em quando, perdemos contato com os nossos contadores de histórias,ou nos tornamos tão “lógicos”, tão “pragmáticos”, tão “objetivos”, “racionais”, que não conseguimos mais entender e nem nos deixar embalar pelas histórias que nos ninaram, que acenderam e acendem uma chama de sonho e de vida em nossos corações. E aí, grandes contadores de histórias passam por nós, mas são perdidos, pois, nós desaprendemos, a realidade que se fez insossa e incolor e inodora roubou-nos a capacidade, e não temos mais ouvidos para ouvir, nem olhos para ler; tudo vira paganismo, tudo tem de ser exorcizado, é a morte da fantasia, é o túmulo da imaginação.

Vi isso acontecer com o “Senhor dos anéis” de Tolkien. E, também, com “As Crônicas de Nárnia” do C.S, Lewis. É que a fé cristã, no Brasil, tem, nestes dias, perdido o encanto e a capacidade de se encantar. Não é que tenha perdido a mística, é que está caminhando pela mística do medo, do pavor, da execração do que é diferente; já não é mística é magia, má magia.

A gente não pode perder a beleza da infância, das histórias que nos explicam, que nos fazem gostar de ser gente e de gente gostar. A gente não pode perder o encanto do mundo onde os sonhos são gestados e a realidade é alimentada de esperança, de cor e de sons que fazem a alma voar, que nos provocam saudades do que fomos, e nostalgia do que ainda seremos, quando brilharemos como o Sol ao meio dia e o encanto será o nosso jeito de viver.

A gente tem de buscar de volta os nossos grandes contadores de histórias, e sentar novamente para ouví-los, como ouvimos a nossos pais contarem os “causos” de nossos antepassados. Espero que a gente na Igreja consiga recuperar o encanto que levou o Mestre a se tornar o maior contador de histórias de todos os tempos. Portanto, em nome do encanto, convido-o:

Senta, que lá vem a história!

Uma questão de fé

26/12/07

Um amigo do interior de São Paulo me enviou uma correspondência eletrônica contendo um artigo , muito interessante, sobre oração. O articulista argumentava que orar é como estar com alguém querido num lugar aprazível, onde momentos de conversa franca e profunda alternam-se com significativos momentos de silêncio, e não essa prática moderna que transforma Deus no garçom que nos atende nesses lugares, uma vez que a oração se tem transformado num mero desfilar de pedidos, a maioria de cunho pessoal.

O texto, muito bem escrito, parecia sugerir que há formas adequadas de orar e de promover a comunhão com o Eterno. Acontece, porém, chamei a atenção de meu amigo, que não há formas seguras de orar, isto é, não é possível saber como o Altíssimo está julgando ou recebendo nossas orações. Deus olha para o coração. É um olhar só dele. Jesus ilustra isso contando-nos a história do publicano e do fariseu: um desfila suas qualidades, outro confessa seu estado de pecado. Jesus esclarece que o confessor desce justificado, enquanto que o outro sequer estava falando com o Pai, pelo contrário, falava de si para si mesmo. O que fazer, então? Precisa-se compreender que, na relação com a Trindade, tudo é pela fé. A gente segue as recomendações divinas e, pronto. Caso contrário, nós vamos nos tornar prisioneiros das sensações, sejam elas quais forem, podem ser as mais histriônicas ou as mais compenetradas, com cara de compreensão do mistério do encontro. São só sensações. O justo vive pela fé.

O que Deus diz sobre oração? Sigamo-lo. Se você está sofrendo ore, disse Tiago. Se está ansioso ore, lançando sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de você, disse Pedro. Ore sem cessar, disse Paulo. Ore em secreto, disse Jesus. Ore em nome de Jesus, disse o próprio Senhor. E isso não é um toque de mágica, é a certeza de que seja qual for a oração e o seu motivo, Deus só a recebe por causa do sacrifício de Jesus. Não tem a ver nem com a quantidade, nem com a intensidade. Só somos recebidos pelo Altíssimo por causa do sacrifício de Cristo. E só podemos falar com a Trindade se o fizermos sob o apadrinhamento de Jesus, só seremos recebidos se deixarmos claro que estamos ousando chegar até o Trono Eterno por causa do favor de Jesus, e que sabemos que só podemos ser recebidos por que o sacrifício de Cristo resolveu a pendência que os céus, com justiça, tinha contra nós. A oração não se sustenta em nenhuma forma, das mais populares às mais rebuscadas, das mais vulgares às mais recheadas de espiritualidade, de qualquer espiritualidade. Oração é uma questão de fé em Jesus, na eficácia de seu sacrifício.

Viver Miraculoso

18/12/07

Deus é Todo-Poderoso, o que significa que não há impossíveis ao Senhor, por isso, não surpreende saber que milagres constituem o dia-a-dia do Criador. Depois da queda, ou Deus vive a fazer o milagre da manutenção da existência ou nada terá condições de subsistir. Quando a humanidade rompeu com Deus, escolheu viver fora dele, o que é o mesmo que escolher deixar de existir, portanto, o fato de continuarmos a ser é um milagre por definição, e tudo que tem a ver com a existência de tudo, uma vez que tudo está em intrínseca união, é milagre no sentido mais profundo do termo. Então, Deus vive a produzir milagres.

O que causa admiração, entretanto, é Deus nos chamar para participar do milagre da vida. Todo dia, seja qual for a nossa postura, o simples fato de continuarmos a lutar, a esperar e a construir faz parte do milagre que sustenta a existência. Então, Deus nos convida a ser instrumentos de milagre na vida de outros. Foi assim com o menino que doou os 5 pães de 2 peixes; com os amigos que levaram a Cristo o companheiro tetraplégico; com o centurião que se ocupou da saúde de seu servo e com tantos outros que têm sido agentes divinos na ministração de um milagre, sem importar a sua grandeza aparente. Aliás, Cristo nos advertiu que reconheceria como seus apenas os que se prestassem a ser agentes de sua bondade: os que dessem comida ao faminto, roupa ao desnudo, carinho ao doente, cuidado ao prisioneiro.

Há a possibilidade de ser parte de algum milagre para alguém. O milagre da existência nos desafia à busca do que dá significado ao viver, à busca de ser parceiro de Deus no seu dia-a-dia de milagres. Deus está à procura de parceiros. Mais do que viver o milagre da vida é possível viver uma vida miraculosa.

O Convite

10/12/07

Certa feita, estive em Belo Horizonte participando de um seminário sobre igreja e inclusão social, o que, por si só já é uma boa notícia. Bem, como era esperado, pouca gente foi, aliás, nem a igreja promotora foi, mas, tudo bem, a iniciativa vale por si só, foi um evento em parceria com a Visão Mundial. É interessante perceber como esse tema atrai tão pouca gente, talvez as pessoas achem que isso é uma atividade extra da igreja e que só os que têm chamado específico devem comparecer. A propósito, uma vez fui interrompido numa aula sobre isso, por um participante, que me perguntou se eu não estava dando trabalho demais para a igreja. Acho que é assim que boa parte da igreja pensa, a gente já tem de evangelizar, depois discipular, o que, por si só é trabalho para uma vida. E ainda tem de incluir socialmente?

O que é preciso perceber é que incluir é o papel da igreja por excelência. A pessoa que entrega a vida para o Senhor é incluída no reino de Jesus e na igreja, e isso significa que é incluída numa nova forma de ser gente e de viver como gente e de ser comunidade. A nova forma de ser gente é ser como Jesus, que é gente como gente deve ser, a nova forma viver como gente é viver com dignidade e a nova forma de ser comunidade é viver a comunhão que o amor propicia. E como vive gente que se parece com Jesus? E como é que vive a comunidade que se pauta pela comunhão que o amor propicia? Vive incluindo. Quando os membros da igreja primitiva vendiam o que tinham para ajudar aos necessitados, ou levantavam ofertas para ajudar igrejas que estavam passando por crises nacionais, como fizeram com a igreja em Jerusalém, estavam praticando a inclusão social. Entenderam que os irmãos tinham o mesmo direito à comida, saúde, transporte, trabalho, educação que os mais privilegiados tinham, e repartiram. A vida da igreja é incluir, nós pregamos para incluir, nós deveríamos viver para incluir, portanto, não deveria haver para nós outra forma de discutir e de agir na sociedade senão pela perspectiva da inclusão.

Jesus veio revitalizar o conceito de humanidade, portanto, veio chamar os homens à contramão do individualismo, e quem está na contramão do individualismo está na mão da inclusão social. Portanto, era de se esperar que a igreja se incomodasse com os excluídos, porque nós sabemos que a exclusão é a negação da salvação. A igreja deveria ser o maior movimento de inclusão social jamais visto, o maior movimento de repúdio ao individualismo e ao consumismo, o maior movimento de promoção comunitária e de promoção da dignidade humana. Espero que no próximo encontro tenha mais gente, você está convidado.

Uma esmola…Em nome de Jesus!

7/12/07

O envolvimento da igreja brasileira com o sustento missionário, não só é novo como é precário. O comportamento, de parte dela, é mero descaso para com o próximo, é pura ausência de consciência cidadã, que é o reconhecimento, ao outro, do divino direito à existência.

A dificuldade que o missionário enfrenta, pois, lhe é imposta, para obter o apoio financeiro que precisa para fazer o trabalho, que é de todos, é o começo. Ele é o pedinte e, às vezes, é visto como um reles vagabundo que, não tendo logrado êxito em nada, opta pela ocupação que aceita qualquer um, uma vez que é um trabalho que poucos querem fazer; é como os migrantes desgraçados que, no primeiro mundo, são explorados à exaustão para fazer o sujo trabalho que os nacionais, devido ao seu “status”, não querem mais. Aí, depois de muita oração e petição, logra levantar uma parte de seu sustento que, ao menos, lhe permitirá, ainda que com muito sacrifício, levar a cabo o seu chamado. E lá vai o missionário…

Missionário no campo, e a igreja vivendo a sua vida, as vezes, de problema em problema, de variação em variação: de humor, de espiritualidade, de líder, de teologia… O missionário foi, ficaram os bem sucedidos: os que têm profissão, carreira, segurança previdenciária, os que se esqueceram que não há vitória que não seja presente da graça, que não há segurança senão no amor de Deus, que qualquer estabilidade é fruto daquele que não conhece sequer sombra de variação.

E o missionário no campo, que pode ser longe ou perto, à deriva da boa vontade da comunidade, apostando na fidelidade desta. E, no caso da igreja brasileira, é mesmo uma aposta.

Aposta mais incerta do que parece; igrejas há que mudam sua eclesiologia, e simplesmente chamam o missionário de volta porque a visão mudou e não importa mais o que Deus disse ou esteja realizando no campo, o que conta é essa visão nova, que está mais para “visagem” do que para revelação. Outras há que, por qualquer motivo mudam a ênfase missionária e, então, como se fosse apenas a mudança de opções de investimento, mandam avisar ao velho missionário, que não se encaixa nessa nova onda, que não receberá mais nada desta. E ninguém pergunta ao missionário sobre o transtorno que se abaterá sobre a sua vida a partir dessa mudança de foco. O missionário não conta, sua família muito menos, seu ministério, que se entendia como fruto da vontade de Deus, então, ninguém nem mais lembra. O missionário é, apenas, o pedinte de sempre, vivendo de esmola em esmola, em nome de Jesus.

O Resultado que Jesus quer

4/12/07

Continuemos a falar sobre resultados, o padrão adotado pelos novos evangélicos para analisar a eficácia da Igreja.

Em João:15.1-17 Jesus declara: Ele é a árvore, nós, os ramos e o Pai, o agricultor. Jesus, protagonista principal, tem a vida em sí mesmo. Nós, os ramos, dependemos d’Ele.

O Pai observa a relação ramo/ tronco. Se o ramo der fruto poda, limpa para que dê mais fruto. Se o fruto ou sinal dele não é encontrado, corta-o e lança fora.

A ordem é permanecer no amor de Cristo para frutificar.

Como? “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor” (10). “O meu mandamento é este, que vos amei uns aos outros, assim como eu vos amei” (12). Permanecer em Jesus, um relacionamento vertical, só acontece se formos bem sucedidos no relacionamento horizontal (amar uns aos outros). Quanto mais na comunidade, mais no Senhor!

“Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.” (7). Vejo duas informações aqui:
a- aprenderemos a orar segundo a vontade de Deus, pois, tudo o que pedirmos será feito e Deus só faz a Sua vontade.
b- A oração, segundo a vontade de Deus, é comunitária. Permanecer é amar , o que, por sua vez, gera vida comunitária. É como a oração que o Senhor nos ensinou: a ênfase é o nosso (Pai nosso; pão nosso; perdão nosso; etc)

Qual é o fruto? Há quem diga que é cada pessoa que trazemos aos pés de Cristo. Ora: “Ninguém pode vir a mim se o Pai não o trouxer” disse Jesus (Jo 6.44). Pregamos, mas, não podemos nos converter por quem quer que seja. Fruto tem a ver com a natureza da árvore: se a árvore é Jesus, o fruto é a reprodução da essência dEle. Paulo diz: “aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito de muitos irmãos” (Romanos 8.29). o Pai quer ter muitos filhos, mas os quer, todos, com o caráter de Seu primogênito.

O caráter de Jesus Cristo é amor. Paulo o ressalta: “o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”( Gl 5.22). Comentaristas dizem que a melhor forma de grafar este texto seria: Amor: alegria, etc. Nosso texto diz que amar é mandamento, Paulo diz que é fruto, logo, permanecer é fazer algo que só é possível se já tivermos frutificado: temos de amar, e amar é fruto. E agora? Isso nos remete para algo anterior, que nos leve a amar: adoração. “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2 Co 3.18). A glória do Senhor é Jesus, contemplá-lo, que é adoração, é observá-lo conforme os evangelhos no-lo descrevem, admirá-lo, exaltá-lo e desejar ser como Ele. Ao fazê-lo o Espírito Santo nos transforma em pessoas que amam como Ele. O amor doa, a doação gera comunidade. Esse é o resultado que Cristo cobra: vida comunitária, fruto desse amar, fruto dessa transformação, fruto de adoração. Compreenda, ser cristão é permanecer na videira verdadeira, no antigo testamento quem assumia esse papel era Israel, no novo testamento, a videira, que tem vida em si mesmo, portadora, portanto, da salvação, é Jesus Cristo. Ser cristão é, então, permanecer em Cristo. Permanecer é manter-se em estado de adoração. À medida que o adoramos, somos transformados à sua imagem. Sua imagem é o seu caráter. Seu caráter é amor. Este amor é sacrificial, entregando a vida pelos irmãos. Este tipo de amor gera comunhão, que gera comunidade. Tal comunidade é a expressão da Igreja na história. Portanto, o fruto é uma comunidade, produto do amor de Cristo, vivido por pessoas que, permanecendo nÊle, amam como Êle. Toda Igreja Local tinha de ser assim. Imagine o testemunho para a sociedade! Como diz o hino: “Se tua igreja toda andar em santa união, então será bendito o nome de cristão, assim o que pediste, em nós se cumprirá, e todo o mundo inteiro a ti conhecerá.

Difícil? Bem, a gente pode começar dando mais importância a edificar a Igreja do que às nossas questiúnculas pessoais que acabam por provocar divisão no Corpo.

Que Jesus Cristo o abençoe!

O resultado que Jesus cobra!

3/12/07

Falar de missão, no Brasil, é falar de resultados. Ainda que discutível, não vou entrar no mérito, a experiência me ensinou: basta anunciar um encontro sobre o crescimento de igreja para ter a casa lotada. Se o negócio é resultado, falemos sobre.

Que resultado Cristo cobra? A julgar pela reação já mencionada, cobra convertidos, é o que a nossa avidez por métodos de crescimento parece dizer. Porém, Jesus disse: “Quando o Auxiliador vier, ele convencerá as pessoas do mundo de que elas têm uma idéia errada a respeito do pecado e do que é direito e justo e também do julgamento de Deus.” (João 16:8) Lucas acrescentou: “E cada dia o Senhor juntava ao grupo as pessoas que iam sendo salvas.” (Atos 2:47). E mais: “Só poderão vir a mim aqueles que forem trazidos pelo Pai, que me enviou, e eu os ressuscitarei no último dia.” (João 6:44), disse Jesus. Logo, conversão é departamento do Senhor. Ainda que os métodos, em disputa pela clientela pastoral, prometam crescimento, tudo que podemos fazer por este é pregar com afinco o evangelho. Conversão é com Deus. Levemos Cristo às pessoas, mas trazê-las a Cristo só Deus o pode fazer.

Que resultado que Cristo cobra? Disse o Senhor: “Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu.” (Mateus 5:16) O Senhor cobra o louvor das pessoas que nos cercam. Conversão ele não cobra, mas, louvor sim . Cristo exige que vivamos de forma que os circunstantes, frente ao nosso estilo de vida, louvem ao nosso Pai. O estilo: boas obras, como Cristo, segundo Pedro: “Sabem também como Deus derramou o Espírito Santo sobre Jesus de Nazaré e lhe deu poder. Jesus andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os que eram dominados pelo Diabo, porque Deus estava com ele.” (Atos 10:38) A ordem é que, a seu exemplo, andemos fazendo o bem, e, na autoridade dele, libertando a todos os cativos pelo Diabo. Isto lembra-nos o que o César Juliano escreveu a um amigo sobre os cristãos; embora os deplorasse a ponto de chamá-los de pagãos, teve de admitir: “esses pagãos, têm algo a nos ensinar, eles cuidam bem de seus pobres e, não bastasse isso, cuidam bem de nossos pobres também.” Eis um inimigo de Cristo louvando-o pelas obras de nossos irmãos.

Boas obras que vão do tratamento as pessoas à limites inimagináveis do amor pelo próximo, que nos envolvam: no progresso da sociedade, na mitigação do sofrimento, na militância ecológica; coisas, pelas quais, seremos, também, julgados: “Venham, vocês que são abençoados pelo meu Pai! Venham e recebam o Reino que o meu Pai preparou para vocês desde a criação do mundo. Pois eu estava com fome, e vocês me deram comida; estava com sede, e me deram água. Era estrangeiro, e me receberam na sua casa. Estava sem roupa, e me vestiram; estava doente, e cuidaram de mim. Estava na cadeia, e foram me visitar.” (Mt 25:34-36)

Talvez, você esteja pensando, se é assim, estamos muito longe do alvo. É verdade! Mas a gente pode começar pela correção do enfoque e por, pelo menos, fazer com que a nossa sociedade pare de zombar de Deus por nossa causa. Como? Que tal parando de produzir os escândalos que têm marcado a nossa imagem? É isso…Jesus Cristo o abençoe.